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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Os furacões geram atividade sísmica semelhante a terremotos


Uma equipa de cientistas descobriu um novo fenómeno geofísico no qual furacões ou fortes tempestades podem produzir vibrações no fundo do oceano tão fortes como um terramoto de magnitude 3.5.
Os investigadores analisaram quase uma década de registos sísmicos e oceanográficos, de Setembro de 2006 a Fevereiro deste ano, e encontraram uma relação entre fortes tempestades e intensa atividade sísmica.


Photo Pixabay/WikiImages


Rios de agua quente provocam instabilidade no gelo antártico




As tempestades, furacões ou ciclones extratropicais transferem energia para o oceano como fortes ondas oceânicas, e as ondas interagem com a terra sólida produzindo uma intensa atividade de fonte sísmica“, explicou Wenyuan Fan, professor de Ciências da Terra, Oceano e Atmosféricas na Universidade da Florida e principal autor de um novo artigo científico publicado na Geophysical Research Letters.

Os cientistas encontraram evidências de mais de 10.000 terremotos entre 2006 e 2019 no alto mar da Nova Inglaterra, Florida e Golfo do México, nos Estados Unidos, assim como no alto mar da Nova Escócia, Terra Nova e Colúmbia Britânica, no Canadá.
Neste estudo, a equipa de cientistas da universidade norte-americana desenvolveu um novo método para detetar e localizar eventos sísmicos e determinar se tais eventos são terramotos. Com a ajuda desta técnica, descobriram que o furacão Bill, um intenso ciclone tropical que atingiu o leste do Canadá durante o final de agosto de 2009, produziu vários terramotos na costa da Nova Inglaterra e Nova Escócia.

Corrente quente do Atlântico pode estar a alterar o outro lado do mundo


Podemos ter fontes sísmicas no oceano, assim como terramotos dentro da crosta“, resumiu Fan. “A parte interessante desta investigação é que as fontes sísmicas causadas por furacões podem durar de horas a dias.”
De igual forma, descobriram também que o furacão Ike, em 2008, causou uma atividade de tempestade no Golfo do México, e o furacão Irene, em 2011, fez exatamente o mesmo perto de Little Bahama Bank, na costa da Flórida.

Nem todos os furacões causam terramotos, mas quando ocorrem, os terramotos parecem concentrar-se em certos pontos críticos. No entanto, os cientistas não detetaram qualquer evidência de terramotos na costa do México ou na costa leste dos Estados Unidos, de Nova Jersey à Geórgia.
Mesmo o furacão Sandy, que ocorreu nos Estados Unidos, não causou terramotos, segundo os cientistas. Isto sugere que os terramotos são fortemente influenciados pelas características oceanográficas locais e pela topografia do fundo do mar.

Akureyri, a cidade exemplo em sustentabilidade ambiental


Como seria se todo o gelo da Terra derretesse numa noite




Fonte//Europapress




sábado, 19 de outubro de 2019

Rios de agua quente provocam instabilidade no gelo antártico

Os cientistas conhecem estes canais basais nas plataformas de gelo há vários anos, mas as circunstâncias por trás da sua formação não eram bem compreendidas. Agora, os investigadores descobriram mais sobre o fenómeno e dizem que é algo que precisamos de levar em consideração ao considerar a subida do nível do mar.
A circulação de água quente está a atacar a parte inferior destas plataformas de gelo nos pontos mais vulneráveis”, disse a glaciologista Karen Alley, do College of Wooster, em Ohio, num comunicado.


Photo Pixabay/358611



As plataformas de gelo são uma extensão externa flutuante do gelo terrestre que compõe as camadas continentais de gelo. No caso da Antártica, cerca de três quartos do continente é cercado por plataformas de gelo flutuantes, que agem como uma barreira natural para ajudar a impedir que as geleiras nas camadas de gelo fluam para o oceano. Este efeito natural de barreira só funciona, no entanto, se as próprias plataformas de gelo contiverem massa gelada suficiente para sustentar o fluxo marítimo de gelo. Porém, estas barreiras antárticas estão a enfraquecer.

Em 2016, uma equipa liderada por Alley analisou imagens de satélite das plataformas de gelo da Antártica Ocidental e identificou os rios invertidos de água morna que erodiam as plataformas por baixo, tornando-as mais vulneráveis ​​à desintegração. “As nossas observações mostram que os canais basais estão associados ao desenvolvimento de novas zonas de fissuras, sugerindo que estes canais podem causar fratura no gelo”, explicaram os investigadores no artigo de 2016, publicado na revista especializada Nature Geoscience.



Concluímos que os canais basais podem formar-se e crescer rapidamente como resultado da intrusão de água quente no oceano, e que podem enfraquecer estruturalmente as plataformas de gelo, potencialmente levando à rápida perda da plataforma de gelo em algumas áreas”.
Num novo estudo, Alley e a sua equipa examinaram novamente os canais basais para investigar o que produz estes rios misteriosos. Por acaso, o processo começa na massa em terra da própria camada de gelo da Antártica, e não na plataforma de gelo flutuante. À medida que o gelo flui para o mar a partir da camada de gelo em terra, regiões fracas no gelo de fluxo rápido chamado “margens de cisalhamento” podem formar-se nas bordas da massa.

No novo estudo, publicado na semana passada na revista especializada Science Advances, os cientistas descobriram que os canais basais eram mais propensos a formar-se ao longo das margens dos trechos de gelo enfraquecidos e de fluxo rápido, uma consequência dos fluxos quentes de água flutuante que subiam acima da água mais fria e induziam o derretimento nas secções mais vulneráveis nas plataformas de gelo.
À medida que a fusão ocorre, um canal basal é esculpido na parte inferior da frágil margem de cisalhamento, revelando o ponto mais fraco e produzindo quebras nas plataformas de gelo.

Estamos a ver um novo processo, em que a água quente entra na plataforma por baixo”, disse o glaciologista Ted Scambos, da Universidade do Colorado Boulder. “A calha torna a plataforma fraca e, em poucas décadas, desaparece, libertando o manto de gelo para sair mais rápido no oceano”.
 Embora os investigadores não saibam até que ponto estes rios podem estar a apressar os processos de colapso do lençol de gelo e aumento do nível do mar em geral, os cientistas consideram que é importante estudar os efeitos dos canais basais e incorporar o fenómeno na modelagem das mudanças na camada de gelo.
 “Isto pode importar um pouco ou pode importar muito”, disse Alley à National Geographic.Mas sabemos que isto torna mais provável a perda de plataformas de gelo. Estes canais tornam os pontos fracos mais fracos”.

Derretimento do gelo antártico pode submergir cidades inteiras

Montanha da Antártida é considerada a "pirâmide mais antiga da Terra"


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Fonte//Nationalgeographic//Sciencealert


sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Cientistas russos criam novo sistema de tratamento de água, compacto e barato

Segundo as Nações Unidas, mais de dois mil milhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso a água potável, e dessas condições resultam em maior volume de doenças, menor expectativa de vida e mais conflitos sociais e políticos.
Cientistas da Universidade Politécnica de Tomsk, na Rússia, criaram um novo sistema de tratamento de água económico, compacto e que pode ajudar a fornecer água potável a aldeias e povoações remotas, anunciou o serviço de imprensa da universidade.


Photo; Tomsk Polytechnic University

Dispositivo remove quase 100% do sal da água do mar usando energia solar


Segundo os investigadores, a novidade do seu sistema de tratamento de água consiste na sua natureza compacta, que permite que a água purificada seja fornecida diretamente na rede de abastecimento de água, ignorando a necessidade de passar por uma grande estação de tratamento de água, o que pode exigir recursos financeiros significativos para operações e manutenção regular. Além disso, diz-se que o sistema não utiliza produtos químicos nem instalações de ozonização caras.
O sistema está numa caixa móvel resistente a vandalismo e situações de clima adverso, com a área de  24 metros quadrados, sendo fácil a sua adaptabilidade a diferentes fontes de água e vários poluentes “, explicou Andrei Matveev, engenheiro-chefe do programa 'Água Limpa' da universidade.
Esta estação de tratamento foi projetada para uso com base nas necessidades específicas do local onde está localizada. As caixas podem ser acopladas e unificados por um único sistema de controlo, que fornece informações, recebidas diariamente numa central, onde é feito o controlo das condições do equipamento, bem como no consumo de água e eletricidade.

As estações já estão em uso em zonas da Rússia, incluindo áreas do norte, onde as condições climáticas são severas. Diz-se que as estações projetadas pela Universidade Politécnica de Tomsk forneceram água potável a milhares de residentes rurais, inclusive no Território Autónomo de Khanty-Mansi, na região de Tyumen, e os engenheiros acreditam que seu hardware é adequado para uso em qualquer país, sob quaisquer condições climáticas.
 A Universidade Politécnica de Tomsk lançou o programa 'Água Limpa' em 2017, trabalhando para criar tecnologias eficientes em recursos para purificação e conservação de água doce. A universidade possui muitas décadas de experiência em ciências e engenharia da terra, incluindo hidro engenharia, geologia, química, biológica da água, tratamento de água e gestão e proteção dos recursos hídricos.

Água engarrafada com milhares de partículas de microplásticos


Novo sistema retira água da humidade atmosférica recorrendo á energia solar




quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Corrente quente do Atlântico pode estar a alterar o outro lado do mundo


Uma questão preocupante para os cientistas nos últimos anos tem sido se o principal sistema de circulação do Oceano Atlântico está desacelerando, um fator que pode ter consequências dramáticas para a Europa e outras partes da orla atlântica. Mas um novo estudo sugere que a ajuda pode estar a alterando um lugar   inesperado, o Oceano Índico.


Photo Wikipédia

Akureyri, a cidade exemplo em sustentabilidade ambiental


O novo estudo, de Shineng Hu, da Scripps Institution of Oceanography, da Universidade da Califórnia em San Diego, e Alexey Fedorov, da Universidade de Yale, publicado em 16 de Setembro na revista Nature Climate Change , é o mais recente de vários que procuram explicações em como o aquecimento global pode alterar componentes climáticos globais, como a "circulação meridional do Atlântico" (AMOC)(Corrente do Golfo).
O AMOC é um dos maiores sistemas de circulação de água do planeta. Funciona como uma escada rolante líquida, enviando água quente ao Atlântico Norte na parte superior da camada líquida, enviando água mais fria para o sul a uma profundidade maior.

Embora o AMOC permaneça estável há milhares de anos, os dados dos últimos 15 anos, bem como as projeções de modelos de computador, deram a alguns cientistas motivos de preocupação. O AMOC mostrou sinais de desaceleração durante esse período, mas não se sabe se é resultado do aquecimento global ou apenas de uma anomalia de curta duração relacionada à variabilidade natural do oceano.
"Ainda não há consenso, mas acho que a questão da estabilidade do AMOC não deve ser ignorada. A mera possibilidade de o AMOC entrar em colapso deve ser um forte motivo de preocupação numa época em que a atividade humana está forçando mudanças significativas no sistema climático da Terra”. disse Fedorov,
"Sabemos que a última vez que o AMOC enfraqueceu substancialmente foi num período que remonta 15.000 a 17.000 anos, e teve fortes impactos globais", acrescentou Fedorov. "Estaríamos falando de invernos rigorosos na Europa, com mais tempestades ou mais secas na África devido à mudança da zona de chuvas tropicais, por exemplo".



Photo Wikipédia

Como seria se todo o gelo da Terra derretesse numa noite


Grande parte do trabalho de Fedorov e Hu concentra-se em mecanismos e recursos climáticos específicos que podem estar mudando devido ao aquecimento global. Usando uma combinação de dados observados e modelos de computador altamente sofisticados, eles estudam quais os efeitos que essas mudanças podem ter ao longo da nossa existencia. Por exemplo, Fedorov examinou anteriormente o papel que o derreter do gelo do mar do Ártico pode ter no AMOC.
Neste novo estudo, analisaram o aquecimento no Oceano Índico, e consideraram o aquecimento deste oceano é um dos fenómenos mais críticos do aquecimento global.
Os cientistas disseram que o seu modelo indica uma série de efeitos em cascata que se estendem desde o Oceano Índico até ao Oceano Atlântico. Á medida que o Oceano Índico aquece cada vez mais rápido, gera precipitação adicional. Isso, por sua vez, atrai mais ar de outras partes do mundo, incluindo o Atlântico, para o Oceano Índico.



Monçoes na India, Photo Brasilescola

As alterações climáticas estão aquecendo a Europa

Com tanta precipitação no Oceano Índico, haverá menos precipitação no Oceano Atlântico, disseram os investigadores. Consequentemente, menos precipitação levará a uma maior salinidade nas águas do Atlântico, porque não haverá tanta água da chuva para diluí-la. Essa água mais salgada do Atlântico, ao chegar ao norte via AMOC, arrefece muito mais rápido que o normal e também afunda mais rápido.
"Isso funcionaria como um ponto de partida para o AMOC, intensificando a circulação", afirmou Fedorov. "Por outro lado, não sabemos por quanto tempo esse aquecimento do Oceano Índico continuará. Se o aquecimento de outros oceanos tropicais, especialmente o Pacífico, alcançar o Oceano Índico, a corrente AMOC será interrompida".
 Os cientistas disseram que esta última descoberta ilustra a natureza intrincada e interligada do clima global. À medida que os cientistas tentam entender os efeitos da mudança climática, eles devem tentar identificar todas as variáveis ​​e mecanismos climáticos que provavelmente terão influencia.


O nível do mar já sobe 3,6 mm por ano e tende a aumentar




Fonte//ScienceDaily


domingo, 13 de outubro de 2019

Akureyri, a cidade exemplo em sustentabilidade ambiental

Uma pequena cidade no norte da Islândia tornou-se quase neutra em CO2. Os investigadores foram até lá para descobrir como fizeram isso e o que podemos aprender com eles.
Atualmente, as cidades são lugares muito insustentáveis, uma vez que consomem demasiados recursos sendo as responsáveis por mais de metade das emissões mundiais de gases com efeito de estufa. Mas as cidades são também o lugar onde muitos dos problemas de sustentabilidade podem ser revertidos.
Uma pequena cidade no norte da Islândia é o exemplo disso.

 
Photo Pixabay//Mariamichelle

Como seria se todo o gelo da Terra derretesse numa noite



A Islândia é conhecida pela sua natureza impactante, mas é também muito interessante para os cientistas em matéria de energia, devido às excelentes condições para energia hidroelétrica e geotérmica. A abundância de energia ajudou a melhorar a condição de vida das pessoas, mas nos últimos anos também criou grandes problemas.
Além disso, apesar de as emissões de aquecimento e eletricidade serem bastante baixas para as famílias islandesas, as emissões per capita de transporte e outros tipos de consumo ainda são muito altas.
Há cerca de uma década, Guðmundur Sigurðarson e Sigurður Friðleifsson, dois habitantes da pequena cidade de Akureyri, decidiram não continuar com esta situação e iniciaram uma ambiciosa transição de baixo carbono que agora afeta todos os cidadãos locais e transformaram Akureyri num pioneira das políticas climáticas em todo o país.

O fator chave para a transição foi o facto de Guðmundur e Sigurður levarem em consideração todos os fluxos de carbono da cidade. Isto significa que analisaram todos os materiais que usados pela cidade, como óleos de cozinha, gasolina, resíduos verdes de parques públicos e avaliaram de que forma esses materiais poderiam ser integrados no sistema de energia local.
Depois, desenvolveram uma estratégia que visava transformar os fluxos lineares de carbono da comunidade em loops. Assim, em vez de ter algo a fluir para a cidade, usando-o e transportando-o como lixo, tentaram usar todos os materiais para novos propósitos.

Há uma opção segura de geoengenharia para reduzir o CO2


Ciclo de energia, desperdício e transporte

Em relação ao transporte local, o novo sistema transforma óleos usados e gás de cozinha do antigo aterro em combustível para carros e autocarros. Ao mesmo tempo, um projeto local de florestação ajuda a construir locais de captura de carbono.
Além dos fluxos de carbono, a nova abordagem em Akureyri garante que os nutrientes não são perdidos, mas que permanecem no sistema local de produção de alimentos. Agora, o lixo orgânico é compostado e os nutrientes são usados para a produção agrícola local. Esta prática ajuda a economizar emissões uma vez que, assim, os agricultores locais precisam de menos fertilizantes artificiais.


O círculo de energia, desperdício e transporte em Akureyri. (Ilustração: Rakel Kristjansdottir e Henner Busch )

A energia nuclear pode travar o aquecimento global



A investigação, publicada na Sustentability, revela várias medidas que foram vantajosas para a transição verde. A primeira importante característica para o sucesso desta transição foi o tamanho da cidade: Akureyri tem 18.000 habitantes e é o maior centro urbano do norte do país. Com esta dimensão, a cidade possui todas as instituições e empresas necessárias e, ao mesmo tempo, é tão pequena que os intervenientes têm conhecimento mutuo tornando os procedimentos administrativos menos complicados não impedindo novos projetos.

Além disso, a cidade abriga uma universidade na qual é possível encontrar uma atmosfera aberta a novas ideias e conceitos inovadores. As autoridades locais também foram fundamentais, na medida em que criaram o quadro institucional certo para a transição, um fator chave foi o estabelecimento de uma empresa local chamada Vistorka, administrada por Guðmundur.
A transição local de baixo carbono em Akureyri trouxe vários benefícios, desde melhorias ambientais a um projeto de florestação que criou uma agradável área verde na cidade. Além disso, o projeto criou novas empresas e empregos locais no setor ambiental que ajudaram a aumentar a atividade económica, criando receita tributária adicional para o município.

Por último, mas não menos importante, Akureyri criou uma imagem forte como líder ambiental na Islândia e um exemplo para todo o mundo


As alterações climáticas estão aquecendo a Europa

Fonte//Sciencenordic



sábado, 12 de outubro de 2019

Como seria se todo o gelo da Terra derretesse numa noite

Noventa e nove por cento de todo o gelo de água doce da Terra está no topo da Groenlândia e da Antártica e, todos os anos a quantidade que derrete é maior.
Normalmente, levaria centenas ou milhares de anos para que todo o gelo derretesse. Mas e se algo acontecesse que causasse um derretimento global da noite para o dia?

Se enquanto dormíamos, o nível do mar subisse 66 metros. Cidades costeiras como New York, Xangai e Londres ficariam submersas numa inundação apocalíptica, forçando até 40% da população mundial a sair de suas casas.
Embora todo esse caos ocorra acima da superfície, algo igualmente sinistro também acontece no subsolo. Toda essa água salgada se infiltrará nas reservas de água subterrânea para o interior, forçando seu caminho para os aquíferos de água doce próximos, aqueles que fornecem água potável, sistemas de irrigação e sistemas de refrigeração para fabricas. Todos esses aquíferos seriam destruídos.



Além disso, o gelo na Groenlândia e na Antártica é feito de água doce; portanto, quando derrete, cerca de 69% das reservas de água doce do mundo vai direto para os oceanos. Isso causará estragos nas correntes oceânicas e nos padrões climáticos.
A corrente do Golfo, por exemplo. É uma forte corrente oceânica que leva ar quente ao norte da Europa e depende de água densa e salgada do Ártico para funcionar. Mas uma inundação de água doce diluiria a corrente e poderia enfraquece-la ou até parar-la completamente. Sem esse ar quente, as temperaturas no norte da Europa desceriam, o que poderia gerar uma mini era glacial, segundo alguns especialistas.

Isso nem é o pior. Veja o que acontecerá quando os últimos 1% de gelo de água doce que não fazem parte do degelo da Groenlândia ou da Antártica, derreter. Parte desse 1% está em geleiras no interior.
As geleiras dos Himalaias representam especificamente uma das maiores ameaças por causa do que está preso no interior. Produtos químicos tóxicos como diclorodifeniltricloroetano ou DDT. Os cientistas descobriram que geleiras como essa podem armazenar esses produtos químicos por décadas. Mas, à medida que descongelam, essas geleiras liberam os produtos químicos em rios, lagos e reservas de água subterrânea, envenenando-os.


Photo Pixabay/edymariani

Há uma opção segura de geoengenharia para reduzir o CO2


O restante desse 1% está no subsolo, principalmente na tundra do Ártico, na forma de algo chamado permafrost. O permafrost é uma matéria orgânica congelada no solo há mais de dois milhões de anos.
Um dos problemas mais imediatos com o degelo do permafrost seria o envenenamento por mercúrio. Estima-se que existam 15 milhões de galões de mercúrio armazenados no permafrost do Ártico. Além disso, a matéria orgânica no permafrost é uma refeição para os microorganismos. Depois de digerir tudo, eles soltam dois dos gases de efeito estufa mais potentes do mercado, dióxido de carbono e metano.
Os cientistas estimam que isso poderia dobrar os níveis atuais de gases de efeito estufa na atmosfera e potencialmente fazer com que as temperaturas globais subissem 3,5 graus Celsius em comparação com hoje.
Pode não parecer muito, mas era o fim de rios e lagos por todo o mundo. Eles evaporariam com temperaturas mais altas e causavam secas em massa e climas desérticos. E todo esse vapor de água extra na atmosfera alimentaria tempestades, inundações e furacões mais frequentes e mais fortes.
Portanto, todo esse litoral recém-estabelecido no leste dos EUA seria um dos últimos lugares para se habitar. Em vez disso, haveria migrações em massa para o Canadá, Alasca, Ártico e até o que resta da Antártica.


Photo Pixabay/geralt

Novo Bioreator pode ser a solução para as emissões de CO2

Isso provavelmente nunca vai acontecer. Afinal, agora há gelo suficiente para cobrir todo o continente da América do Norte com uma camada de uma milha de espessura.
Então, da próxima vez que ouvir sobre o recorde de calor ou furacões ultra poderosos, pelo menos você sabe que pode ser pior. Mas os cientistas estimam que, se não agirmos e as temperaturas globais aumentarem apenas 1 grau Celsius, os efeitos das mudanças climáticas que já vemos hoje serão irreversíveis.

Anomalia no Pacífico ameaça o regresso do 'The Blob'


Fonte //Businessinsider



quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Guerra nuclear entre Índia e Paquistão provocará fome mundial


Além de matar 125 milhões de pessoas, um confronto nuclear entre a Índia e o Paquistão provocaria fome por todo o mundo devido aos impactos climáticos que se seguiriam, de acordo com um novo estudo.
Uma nova pesquisa publicada na semana passada na Science Advances apresenta evidências mostrando que uma guerra nuclear entre as duas potências, a Índia e o Paquistão, infligiria uma catástrofe regional e global.


Photo Pixabay/Comfreak

Cinco cenários apocalípticos que os governos estão atentos


A pesquisa, que envolveu investigadores da Universidade do Colorado, Boulder, Universidade Rutgers-New Brunswick, Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos EUA, entre outras instituições, indicou algumas estimativas alarmantes, mostrando que uma guerra entre as duas nações causaria entre 50 milhões e 125 milhões de mortes nas horas e dias seguintes ao conflito nuclear.
O que a pesquisa também mostra, no entanto, é como os impactos climáticos resultantes, produzidos principalmente pela fumaça dos incêndios, causariam falhas devastadoras nas colheitas e o colapso de ecossistemas vitais. Esse inverno nuclear iria causar a fome mundial, levando a "fatalidades colaterais".
Não estimaram o número pessoas que seriam afetadas ou mortas pela fome, mas provavelmente seria significativo, uma vez que o inverno nuclear subsequente duraria pelo menos uma década.
O novo artigo mostra que uma guerra nuclear, mesmo que envolva potências nucleares menores, traria graves problemas globais. O novo artigo lembra as pesquisas feitas em 2017, que mostravam que mesmo os ataques nucleares de menor dimensão, causariam o caos climático e um estudo de 2018 buscando determinou o " melhor cenário " para a guerra nuclear, ou seja, o menor número de armas nucleares necessárias para manter a dissuasão.
Os investigadores do Departamento de Ciências Ambientais da Universidade Rutgers New Brunswick, chegaram a esses resultados simulando um cenário em que a guerra nuclear eclodiu em 2025 entre a Índia e o Paquistão. Atualmente, essas nações disputam o território da Caxemira.


"Avaliamos os possíveis impactos climáticos de uma guerra entre a Índia e o Paquistão num futuro próximo, com um número maior de armas, armas mais potentes e alvos maiores, em comparação com nossa análise de uma década atrás", escreveu Robock um e-mail ao Gizmodo. De fato, o novo artigo é uma atualização de pesquisa semelhante realizada em 2010 por Robock e Owen Toon, professor do Departamento de Ciências Atmosféricas e Oceânicas da Universidade do Colorado em Boulder, pesquisa que praticamente concluiu o mesmo.
No cenário simulado, os investigadores consideraram o uso de entre 400 a 500 armas nucleares, que é o arsenal previsto para a Índia e o Paquistão em cerca de seis anos. As armas nucleares usadas na simulação variaram entre bombas do tamanho da de Hiroshima (15 quilotoneladas de TNT) e armas modernas capazes de libertar algumas centenas de quilotoneladas de energia explosiva. O cenário viu a Índia implantar 100 ogivas nucleares, enquanto o Paquistão implantou 150.


Photo Pixabay/TheDigitalArtist

Japoneses receiam uma catástrofe natural



Uma guerra entre duas novas potências nucleares 'menores' do outro lado do mundo agora tem o potencial de mergulhar a Terra num clima da era do gelo. Seria uma mudança climática instantânea."
Uma "catástrofe regional ocorreria se a Índia e o Paquistão participassem numa guerra nuclear em larga escala com seus arsenais em expansão", escreveram os autores do estudo. A troca nuclear simulada resultaria em 50 a 125 milhões de mortes, o que ocorreria quase instantaneamente devido aos efeitos diretos e imediatos das bombas.
A Índia sofreria duas a três vezes mais mortes e vítimas do que o Paquistão porque, no cenário, o Paquistão usa mais armas que a Índia e porque a Índia tem uma população muito maior e as cidades são mais densamente povoadas. No entanto, como percentagem da população urbana, as perdas do Paquistão seriam cerca de duas vezes as da Índia. As fatalidades e baixas aumentam rapidamente até a 250ª explosão devido à enorme população da Índia, enquanto a taxa de aumento no Paquistão é muito menor, mesmo na 50ª explosão.

Atualmente, os EUA e a Rússia representam cerca de 93% das 13.900 armas nucleares do planeta, segundo o jornal.
Os incêndios causados ​​pela guerra nuclear colocariam entre 16 e 36 milhões de toneladas de fuligem, também conhecido como carbono preto, na atmosfera superior da Terra. Em poucas semanas, essa fuligem proliferaria por todo o mundo. Segundo as estimativas dos pesquisadores, a luz solar diminuiria num fator de 20 a 35%, o que por sua vez arrefeceria o solo de 2 a 3 graus Celsius e reduziria a precipitação em 15 a 30%, dependendo da região.
Isso seria devastador para a vegetação do mundo, terrestre ou aquática. A vida das plantas diminuiria de 15 a 30% nas terras e de 5 a 15% nos oceanos. Este inverno nuclear duraria pelo menos 10 anos, segundo os pesquisadores.

Photo Discovery Science

Como um inverno nuclear afetaria todo o planeta


Os investigadores resumiram assim:

Todas as perturbações climáticas de curto prazo, com temperaturas declinando para valores não existentes na Terra desde meados da última Era Glacial, seriam desencadeadas pelo fumo das cidades em chamas. Um desastre global que ameaçava a produção de alimentos em todo o mundo e a fome em massa, assim como a grave perturbação dos ecossistemas naturais. Sem contar com a devastação provocada nos seus próprios países, as decisões dos líderes militares e políticos da Índia e do Paquistão em usar armas nucleares, podem afetar seriamente todas as outras nações da Terra.”

Como um especto interessante e relevante, o Prêmio Nobel da Paz de 2017 foi concedido à Campanha Internacional para Abolir Armas Nucleares (ICAN).
 Como Robock explicou ao Gizmodo, o ICAN "foi promulgado em parte com base nos estudos anteriores". A esperança é que as nove nações nucleares do mundo "assinem e ratifiquem o Tratado das Nações Unidas sobre a Proibição de Armas Nucleares".
Os resultados do novo estudo "reforçam a necessidade de abolir as armas nucleares", disse Robock. “Eles são instrumentos de genocídio em massa. E persiste o mito da dissuasão. Mas se as armas nucleares fossem usadas, elas teriam um grande impacto, através das mudanças climáticas, no país que as usa ”, afirmou.
 "Ameaçar usar armas nucleares para impedir é ameaçar ser um homem-bomba", acrescentou.

Aquecimento global pode fazer a Corrente do Golfo parar

China testa canhão eletromagnético

Fonte//Gizmodo



terça-feira, 8 de outubro de 2019

O mundo está a perder um recurso crucial e ninguém fala nisso


O clima está aquecendo rapidamente, os oceanos estão se tornando perigosamente ácidos, uma sexta extinção está oficialmente em curso, o nível dos oceanos sobe e há a ameaça da guerra nuclear. Porém, há uma outra crise de que mal ouvimos falar.
Trata-se da escassez do fósforo, um mineral essencial a todos os seres vivos, sejam plantas ou animais. Os cientistas dizem que, se o continuarmos a ignorar poderá trazer uma catástrofe global num futuro próximo.


Photo Wikicommons


O nível do mar já sobe 3,6 mm por ano e tende a aumentar

O fósforo não é um elemento renovável, e não existem substitutos conhecidos, além de serem muito pouco os locais de onde é extraído. À medida que o mundo precisa de quantidades cada vez maiores, as quantidades existentes são cada vez menores.
Os fertilizantes feitos à base deste elemento químico quintuplicaram nos últimos 50 anos e, com o crescimento da população, a procura deverá duplicar até 2050.

Não há colaboração ou coordenação a uma escala global que assuma a responsabilidade de governar este recurso, nem mesmo entre os estados-membros da União Europeia ou dos Estados Unidos”, afirma o ecologista Kasper Reitzel, num relatório publicado, em Julho, na revista Environmental Science & Technology.
Mantendo-se os níveis atuais de consumo, alguns modelos indicam que vamos ficar sem reservas de fósforo dentro de 80 anos. Outras previsões mais otimistas falam em 400 anos, e outras dão-nos menos de 40 anos para encontrar uma solução para este grave problema.

Há uma opção segura de geoengenharia para reduzir o CO2


A solução poderá passar por reduzir o consumo, mas também será importante aprender a reciclá-lo, sendo os países em desenvolvimento os que mais sentirão a falta do fosforo. Os EUA, há 30 anos, eram o principal produtor mundial de fósforo, e a Índia e a China consomem mais de 45% à escala mundial.
Durante todo estes anos, as práticas de mineração e consumo não tiveram progressos. Continua-se a adicionar aos solos misturas químicas enriquecidas com fosfato, que depois levado pelas águas para o mar. Isto só polui os oceanos e os cursos de água, como também é insustentável.

Os investigadores dizem que fosfato pode ser reutilizado aproximadamente 46 vezes como combustível, fertilizante ou alimento, se for desenvolvido um sistema de reciclagem num ciclo fechado.
 Os cientistas que subscreveram este relatório estão a apelar às indústrias e autoridades mundiais que desenvolvam uma nova geração de profissionais em sustentabilidade de nutrientes, que possam trabalhar juntos para garantir a gestão internacional de fósforo e um ambiente mais limpo.

A energia nuclear pode travar o aquecimento global



Fonte//ScienceAlert



quinta-feira, 26 de setembro de 2019

O nível do mar já sobe 3,6 mm por ano e tende a aumentar

O Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas divulgou um relatório em que mostra como as mudanças climáticas estão afetando os oceanos e o gelo que existe no nosso planeta, acelerando o nível do mar e aumentando a temperatura dos oceanos.
 As Nações Unidas divulgaram um novo, abrangente e muito preocupante relatório sobre o estado dos oceanos e do gelo do mundo. Os oceanos estão aquecendo a um ritmo acelerado, paralelamente ao derreter do gelo, causado um aumento do nível do mar a uma velocidade nunca imaginada, aumentando 3,6 milímetros por ano, o dobro do que no último século. Com isso, é provável que o nível do mar aumente mais de um metro até 2100. Em consequência, ocorrerão fenómenos extremos com as marés mais altas e tempestades fortes.




Photo Radio Vox


Há uma opção segura de geoengenharia para reduzir o CO2



Há indicadores de que, os fenómenos atmosféricos extremos, que ocorriam em média, uma vez em cada cem anos, ocorram anualmente, aumentando o risco para muitas cidades costeiras abaixo do nível do mar e regiões insulares, alerta o relatório.
Este é um cenário deveras preocupante. Por um lado, os oceanos estão mudando muito mais rapidamente do que era habitual. Deste 1970 as temperaturas dos oceanos têm vindo a subir, mas desde a década de 90 a o ritmo com duplicou, devido ao facto dos oceanos absorverem cerca do 90% do calor extra da atmosfera gerado pelos gases de efeito estufa.
Geleiras e mantos de gelo também estão derretendo cada vez mais rápido à medida que o planeta aquece, causando diretamente o aumento do nível do mar e pondo em causa a qualidade da água potável.


Toda a vida na Terra sofre as consequências da irresponsabilidade humana. À medida que os seres humanos libertam gases de efeito estufa na atmosfera, os oceanos absorvem-nos e estão ficando mais ácidos. Isso adicionado ao aumento da temperatura influi grandemente na vida marinha pondo em causa a sobrevivência das espécies. Por exemplo, as ondas de calor repetidas na costa americana danificaram os estoques de salmão e caranguejo.
O IPCC também aponta o fato do gelo permanente do subsolo estar a derreter, sendo previsível  que o degelo ocorra no nosso seculo, mesmo se o aquecimento global a ficar abaixo de 2 ºC, cerca de um quarto desta camada irá diminuir entre 3 e 4 metros de profundidade até 2100.
Os oceanos e as partes congeladas do planeta, têm papel importante na vida terrestre. São cerca de 670 milhões as pessoas que habitam nas regiões montanhosas e outros 680 milhões nas áreas costeiras e que dependem diretamente destes sistemas. Quatro milhões de pessoas vivem permanentemente no Ártico e outros 65 milhões habitam em países insulares



O relatório de hoje e a importância desse conhecimento à medida que os países se adaptam ao aquecimento do oceano, porque a eliminação imediata das emissões de gases de efeito estufa ajudaria a diminuir os impactos nos oceanos a longo prazo, não há saída a curto prazo. Os oceanos ficarão cada vez mais quentes e mais altos, e exigirá mudanças dramáticas, às vezes dolorosas, na maneira como as pessoas vivem nas costas do mundo.
O relatório tem mais de 100 autores de 36 países que analisaram os mais recentes dados científicos relacionados com os oceanos e a criosfera, referenciando cerca de 7.000 publicações científicas. Este relatório será uma peça chave para discutir pelos líderes mundiais na próxima Convenção Quadro sobre Mudança Climática da ONU (COP25) que ocorrerá em Dezembro, no Chile.


O IPCC é o órgão das Nações Unidas que inclui 195 Países-membros e analisa dados relativos às mudanças climáticas. Foi estabelecido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) e a Organização Meteorológica Mundial em 1988 para fornecer dados e análises científicas regulares relativas às mudanças do clima, aos legisladores dos diversos países envolvidos.

Fonte/Relatorio//IPCC