Mostrar mensagens com a etiqueta apartheid climatico.. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta apartheid climatico.. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

ONU lança aviso, a comida irá ficar muito cara futuramente


O fornecimento global de alimentos está à beira do desastre, de acordo com um relatório recém-publicado pelo Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudança Climática.
Mais de 100 especialistas contribuíram para o relatório, que conclui que a mudança climática já está influenciando negativamente a produção de alimentos. E o problema irá se agravar ainda mais se as temperaturas globais continuarem aumentando, embora ainda não seja tarde demais para evitar uma catástrofe total.



Photo China Daily / Reuters

Sabe o que são os alimentos geneticamente modificados?


De acordo com os autores do relatório, está ficando mais difícil produzir alimentos devido a mais secas, ondas de calor, incêndios florestais, inundações e degelo de permafrost.
Acrescente a isso as quantidades crescentes de dióxido de carbono na atmosfera, que diminuem a qualidade dos alimentos que são produzidos, e está claro que estamos indo em direção a um futuro em que há ainda menos comida, ou seja, o alimento disponível vai custar muito mais.
Por mais assustador que pareça, um dos autores principais do relatório ainda acredita que podemos evitar uma catástrofe alimentar, se estivermos dispostos a nos esforçar.
Uma das descobertas importantes do nosso trabalho é que há muitas ações que podemos tomar agora. O que algumas dessas soluções exigem é atenção, apoio financeiro, ambientes propícios”. disse Pamela McElwee em entrevista ao The New York Times .








O resumo foi divulgado na passada quinta-feira pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, um grupo internacional de cientistas reunidos pelas Nações Unidas que reúne uma ampla gama de pesquisas existentes para ajudar os governos a entender a mudança climática e tomar decisões políticas. O IPCC está escrevendo uma série de relatórios climáticos, incluindo um no ano passado sobre as consequências desastrosas da eventual subida de temperatura em apenas 1,5 graus acima dos níveis pré-industriais , bem como um relatório sobre o estado dos oceanos do mundo .


Photo Scott Olson / Getty Images

Alguns autores também sugeriram que a escassez de alimentos provavelmente afetará mais as partes mais pobres do mundo do que as mais ricas. Isso poderia aumentar um fluxo de imigração que já está redefinindo a política na América do Norte, Europa e outras partes do mundo.
No geral, o relatório disse que quanto mais tempo os políticos esperarem, mais difícil será evitar uma crise global. "Agir agora pode evitar ou reduzir riscos e perdas e gerar benefícios para a sociedade", escreveram os autores. A espera pela redução das emissões, por outro lado, corre o risco de “perda irreversível das funções e ecossistemas da terra necessários para alimentação, saúde, assentamentos habitáveis ​​e produção”.

O aquecimento global leva cada vez mais a situações climáticas extremas



Fonte//NewYorkTimes










sábado, 3 de agosto de 2019

A atual mudança climática não é um fenómeno natural, segundo dois grandes estudos


Dois novos estudos demonstram que os acontecimentos de arrefecimento e aquecimento climático antes da Era Industrial foram em muito menos escala do que o fenômeno global que acontece atualmente. Os trabalhos foram publicados nas revistas Nature e Nature Geoscience.
Os principais eventos de mudança climática registrados nos dois últimos milênios foram a Pequena Era do Gelo (entre os séculos XIV e XIX, no hemisfério norte) e o Período Quente Medieval (entre o século X e XIV, na Europa). Mas são localizados e pontuais em comparação com o aquecimento que estamos observando atualmente.




Photo Pixabay

Os objetivos climáticos do Acordo de Paris



Para chegar à esta conclusão, os investigadores estudaram 700 registos de temperaturas históricas, que incluem características de árvores, sedimentos, corais, depósitos em cavernas e documentos feitos por pessoas e registros de equipamentos, ficando assim com um retrato global das mudanças climáticas deste a época dos romanos.
 A conclusão principal é que a variável climática no período contemporâneo é muito diferente do que tem acontecido nos últimos 2 mil anos. O calor e frio do passado eram regionais, enquanto o que vemos agora é global”, diz o cientista atmosférico Nathan Steigernuma conferência de imprensa.







Para os que pensam que a Pequena Era do Gelo foi um evento global, uma extensa análise publicada na revista Nature não encontrou nenhuma evidência que confirme esta ideia. O que os pesquisadores encontraram foram temperaturas baixas em locais e épocas diferentes, mas mesmo assim só atingiu metade do planeta
Já no Período Quente Medieval, apenas 40% da superfície da Terra atingiu temperaturas altas.
Assim, a variação atual se destaca desses outros eventos. Este é o período mais quente dos últimos 2 mil anos, e acontece em 98% do globo.



Photo Pixabay

Podemos estar a retroceder climaticamente 50 milhões de anos



Já o estudo publicado na revista Nature Geoscience examinou as causas destes acontecimentos climáticos, e concluiu que o aquecimento e arrefecimento pré-industrial aconteceram de forma primária por influência vulcânica.
As pesquisas das duas entidades concluem que esses eventos antes da Revolução Industrial eram locais e curtos, sem produzir mudanças a nível global. A mudança climática atual, porém, está acontecendo numa escala muito maior e não pode ser explicado apenas por variáveis naturais.
As Nações Unidas acabam de publicar um relatório que alerta para um “Apartheid Climático” conforme as mudanças climáticas se intensificam.





Philip Alston, especialista em pobreza extrema e direitos humanos da ONU, explicou no Conselho de Direitos Humanos da ONU em Génova que milhões de pessoas vão passar por insegurança alimentar, migração forçada, doença e morte neste século, devido a crises causadas pelas mudanças climáticas.
Isso pode conduzir mais de 120 milhões de pessoas para a pobreza até 2030. A mudança climática ameaça desfazer os últimos 50 anos de progresso no desenvolvimento, saúde global e redução de pobreza”, diz ele.
Os maiores riscos são para as populações mais pobres dos países em desenvolvimento. Essas nações nem sequer são as mais responsáveis pela poluição por CO2, mas são as que vão sofrer mais.
As pessoas em situação de pobreza tendem a viver em áreas mais suscetíveis às mudanças climáticas e em habitações menos resistentes. São elas que perdem relativamente mais quando afetadas, e que têm menos recursos para mitigar os efeitos; e são as que recebem menos apoio de redes de segurança social ou do sistema de financiamento para prevenir ou se recuperar de catástrofes”, diz o relatório da ONU.
Eles estão mais vulneráveis aos desastres naturais que trazem doenças, destruição das plantações, alta de preço de alimentos, morte ou incapacidade.


Photo Pixabay

As alterações climáticas poderiam tornar a Sibéria mais habitável?


Isso tudo ajuda a explicar porque apenas neste século atual, pessoas de países mais pobres têm morrido em desastres numa taxa até sete vezes mais alta que cidadãos de países ricos. Este fenômeno será exacerbado conforme mais desastres naturais acontecerem.





O relatório identifica falhas das lideranças dos governos e do setor privado como fator principal por trás da falta de ação para diminuir a velocidade a que as mudanças climáticas estão acontecendo.
A solução, explica Alston, é “fazer mudanças estruturais profundas na economia mundial”, adotando uma economia sustentável, ao mesmo tempo em que se oferece uma rede de segurança para trabalhadores que perderem seus trabalhos neste meio tempo.
O relatório admite que esses são desafios enormes, mas que não há outra alternativa. “Algumas pessoas e países ficaram incrivelmente ricas a custa de emissões sem pagar pelos custos disso. Ações climáticas não devem ser vistas como um impedimento de crescimento econômico, mas como uma motivação para dissociar o crescimento econômico das emissões e extração de recursos”, diz Alston.